quarta-feira, outubro 11, 2006

Sarau PQP

O sarau foi no sábado.
E foi foda!

Pra variar, chegamos tarde, eu e minha menina, lá no Gruta Bar, mas o pessoal já estava esquentando com o bate-papo e as cervejas. O Alessandro estava no balcão conversando com o Rubens e mais algum pessoal (desculpem os nomes esquecidos). O Rodney (Rodnei?), que apareceu com a mulher foi a primeira surpresa da noite (a segunda tem a ver com ele também). Isso lá na frente, no balcão. Nas mesas de xadrez, alguns frequentadores rotineiros do lugar, o Xandó e um amigo dele, mais um pessoal que eu não conhecia e que estava ali pra participar do sarau. Mais atrás, perto das mesas de bilhar, Prestor e Erika com um casal de amigos; numa das mesas de bilhar, a Mhel com seu namorado. O Marco e o Bruno chegaram pouco depois de mim. Todos cumprimentados (ou não) voltei ao balcão e pedi pra Betty, mulher do Rubão, uma cerveja. O sarau estava prestes a começar.

Ao som de Bob Dylan, o Rubão começou lendo um texto do Moacir Scliar que falava sobre os idosos no mundo todo. Sobre como essa fatia da população tende a crescer e sobre diferenças dos idosos de antes para os de hoje. O texto jogava muitos dados de pesquisas realizadas por não me lembro quais instituições. Foi legal.

Continuaríamos. Talvez o Alessandro estivesse preparando um texto para ler, quando nosso novo amigo, o Couto, comentou alguma coisa sobre o texto que o Rubão tinha lido. Algo sobre os direitos dos idosos, mas também dos jovens. O comentário dele foi respondido e iniciou-se uma discussão.

Nessa hora eu estava sentado no chão, ao lado do balcão. Estava muito cansado. Quase não tinha dormido nas noites anteriores. Estava tão podre que mal tinha forças pra tomar coragem e ler alguma coisa minha ali.

A discussão continuou e já estava fugindo do assunto do qual surgira. Uns e outros tentavam encerrar aquilo, que já estava ficando chato. Uns e outros continuavam discutindo. Eu, que estava mal o suficiente pra nem entender o que eles estavam discutindo, estava reunindo forças pra dar um grito e puxar um texto. O Marco levantou e deu o grito. Gritei o nome dele e passei pra ele um texto meu, “A Multidão”. Achei que teria alguma coisa a ver com a situação.

Depois disso a ordem cronológica dos fatos fica comprometida, pois meu cérebro está um pouco deteriorado pela vida e costuma se apegar somente aos fatos mais importante, pra não gastar muito espaço.

Sei que logo em seguida veio a outra surpresa do Rodney. Aquele cara gente fina que durante a semana bate no balcão conversando com a gente também escreve. E escreve bem! E interpreta o que escreve! E interpreta bem pra cacete! Leu um texto dele chamado “Barracão”, que me apertou a garganta e lacrimejou os olhos. Coisa rara de acontecer ainda na primeira cerveja. E o cara nunca tinha dito nada!

Logo após, a Mhel leu. Um texto dela que eu não me lembro o nome. Muito bem construído. Muito foda! Vou ver se pego com ela um dia e colo aqui.

O Alessandro leu outro texto meu, “Uma Puta Esperança”. Leu textos dele também: “O Gosto do Papel Velho” e “Eu digo não”.

A Erika leu um meu, chamado “Erika (Todos os Sentidos)

O pessoal que eu não conhecia leu alguma coisa também.

O Igor chegou, atrasadíssimo, pra variar!

O Couto, certa hora, pegou uma meia hora só pra ele. Foi cansativo, mas foi válido.

Depois dele entrou o fantástico Adestrador de Lesmas com sua poesia dadaísta espirrada numa performance agitada.

Houve alguns intervalos também.

Eu leria uma do Alessandro, mas o Rubão roubou de mim. Combinamos de fazer um lance, então. Enquanto ele lia, eu “sublinhava” alguns trechos da poesia. Ficou legal. O nome dela é “O Erro”.

Minha menina, a Alessandra, apresentou uma performance do texto “Gota D’água”. O pessoal gostou bastante.

Várias cervejas noite adentro, finalmente tomei coragem pra ler alguma coisa. Peguei dois textos, o “Pastores, ovelhas, ratos...” e o “Não dá!”. Este último, pretendo publicar aqui ainda esta semana.

Mais alguns textos e cervejas e mais um intervalo. Fui comprar cigarros em outro bar, porque lá não vende cigarro, e na volta fiquei conversando com um catador de papelão que tinha pedido um trago. Isso foi na hora em que chegou no Gruta um cara que sempre atrapalha nosso sarau.

Nem lembro o nome dele. O cara sempre quer o espaço só pra ele, e quando os outros estão lendo, fica atrapalhando. Entrou, atrapalhou. O pessoal decidiu dar fim ao sarau. Já tinha sido bom demais, já eram quase três da manhã e ninguém queria arrumar confusão àquelas horas.

Quase ninguém...
A sorte foi que eu fui comprar cigarros e na volta encontrei com o Cláudio Roberto. O nome dele eu lembro, o do catador de papelão.

O pessoal foi saindo, indo embora. Ficamos no balcão Rubão, Betty, Igor, minha menina Alessandra e eu. Tomamos mais umas duas garrafas, fechamos o bar e fomos embora sob a luz do sol.

Betty e Rubão foram dormir. O Igor foi lá pra casa. São uns quarenta quilômetros de distância. Disseram que fui eu quem dirigiu o carro nesse caminho...

É mais ou menos isso o que eu lembro do sarau de sábado.
Infelizmente, não existem fotos para provar ou desmentir.

Na segunda-feira, estava de volta no Gruta. O Alessandro estava lá e também o Couto e o Déh (que tocaria violão no sarau, mas teve de ir embora), além, é claro, do Rubão.

Ao som do violão do Déh, Rubens, Alessandro e eu, montamos isso aí embaixo. Saiu de repente e não tem pretensão de significar alguma coisa.


que mania tem você
de quê?
de acender um maço
um maço a cada cigarro
e fumar
fumar o quê?
fumar quatro ou cinco
pra quê?

que mania tem você
de conquistar uma mulher
o que você quer?
Se a cada uma delas
mesmo que seja a mesma
você conquista mesmo a todas
do jeito que der

E as canções que você canta
em mente
A semente da mentira
não-intencional
Por que você finge sem se dar conta
Quando você percebeu que a realidade
não vale a pena?
E então você faz pose
Até pra contradizer a música
que toca na mente
Sabendo que uma realidade
distorcida é o único caminho
para ser livre,
mas é preciso fingir... ah!

Porra, mas que porra!
Vocês não vão parar com isso nunca?
Estou fingindo, contradizendo?
Quem? O quê?
Porra, mas que porra!
Eu não sou adestrador de lesmas!

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Relato simples e profundo da madrugada do ultimo sábado!
Recheada da presença e da surpresa do Rodnei, do encontro de improviso seu e do Rubão, das suas poesias lidas por Érika, Marco, Alessandro... noite encantada foi aquela na Gruta de todos os poetas, até mesmo daqueles que enchem o saco!!!!

Biseaus

Minha

quarta-feira, outubro 11, 2006 3:03:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

as poesias do Alessandro lidas por ele, pelo Rubão, as poesias do poeta Paulo Cesar lidas pela Mhel e o Nelson, ah sem contar que o Nelson arrasou com a largata do Loyola!!!

Estou escrevendo sabendo que daqui a pouco vou lembrar de outro fato que marcou este sarau.. .risos.

biseaus

quarta-feira, outubro 11, 2006 3:05:00 PM  
Anonymous Anônimo said...

ah! o encontro de vocês nesta poesia que maravilha!!!

quarta-feira, outubro 11, 2006 3:05:00 PM  
Anonymous Marco said...

Eu eu fui embora!!!

Se arrependimento matasse...

Beijo muleke...

quarta-feira, outubro 11, 2006 10:33:00 PM  
Blogger Alessandro said...

Aaaaaahhh... foi bom mesmo. Rodnei, Alessandra Buarque, Mhel, Nelson, Rubão, você, Marco tomando as rédeas em determinado momento, o texto do Prestor que nem me lembro, mas que era muito bom...

E melhores são os catadores de papelão do que pretensos poetas como aquele lá.

Abração!

quinta-feira, outubro 19, 2006 1:44:00 PM  

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