
Nunca poderíamos dar a isto o nome de invasão, o que essa criatura fez.
Como todas as noites, este inquilino esquecera abertos os trincos da porta do apartamento e apressara-se em abrir a garrafa de vinho que trazia para ouvir alguma música em inglês sentado no sofá, engolindo o gole direto do gargalo.
Aquele monstro, tanque de guerra defasado, nem ao menos respirou para escancarar a porta do cubículo. Percorreu a sala em silêncio, reparando nas fotografias penduradas nas paredes, nas cores de tintas desgastadas que caíam do teto, nos restos de jornais e revistas sete meses atrasados e jogados num dos cantos, num buquê de flores quase mortas que ocupava o lugar onde deveria ficar parada uma televisão, deixando brilhar dourado o prateado de uma pistola presa na cintura, sob a luz amarelada que jazia da lâmpada do teto, e sempre em silêncio.
No sofá, jogado como os jornais, jazido como a luz da lâmpada do teto, quase morto como as flores, num olhar amarelado como os que assistem televisões, sem nenhuma surpresa, a garrafa de vinho das mãos à boca, permanecia parado ali o homem que pagava o aluguel do citado imóvel.
O Monstro e o Inquilino.
Olharam-se, um na testa e o outro no nariz do primeiro.
O do sofá reparava agora no sapato lustrado preto, na calça de linho preta e no terno de linho preto daquele elefante branco italiano parado em sua sala, vestindo alguma camisa branca que separava o pesadelo do horror. Escutava cada silêncio que o monstro provocava e sentia nos pelos do braço o ar que seus pensamentos deslocavam.
Tensão.
Silêncio.
Silêncio.
Um grito: apontando a pistola ao meio dos olhos do que estava sentado, disse o Monstro: “Estou sempre por aqui, porra!!!”, quase chorando.
Um sussurro, vindo do sofá: “Eu também...”, muito tranqüilo.
Como em todas as noites, o tiro disparou, as mãos trouxeram à boca o vinho, e tudo o que havia ali despareceu.
Como todas as noites, este inquilino esquecera abertos os trincos da porta do apartamento e apressara-se em abrir a garrafa de vinho que trazia para ouvir alguma música em inglês sentado no sofá, engolindo o gole direto do gargalo.
Aquele monstro, tanque de guerra defasado, nem ao menos respirou para escancarar a porta do cubículo. Percorreu a sala em silêncio, reparando nas fotografias penduradas nas paredes, nas cores de tintas desgastadas que caíam do teto, nos restos de jornais e revistas sete meses atrasados e jogados num dos cantos, num buquê de flores quase mortas que ocupava o lugar onde deveria ficar parada uma televisão, deixando brilhar dourado o prateado de uma pistola presa na cintura, sob a luz amarelada que jazia da lâmpada do teto, e sempre em silêncio.
No sofá, jogado como os jornais, jazido como a luz da lâmpada do teto, quase morto como as flores, num olhar amarelado como os que assistem televisões, sem nenhuma surpresa, a garrafa de vinho das mãos à boca, permanecia parado ali o homem que pagava o aluguel do citado imóvel.
O Monstro e o Inquilino.
Olharam-se, um na testa e o outro no nariz do primeiro.
O do sofá reparava agora no sapato lustrado preto, na calça de linho preta e no terno de linho preto daquele elefante branco italiano parado em sua sala, vestindo alguma camisa branca que separava o pesadelo do horror. Escutava cada silêncio que o monstro provocava e sentia nos pelos do braço o ar que seus pensamentos deslocavam.
Tensão.
Silêncio.
Silêncio.
Um grito: apontando a pistola ao meio dos olhos do que estava sentado, disse o Monstro: “Estou sempre por aqui, porra!!!”, quase chorando.
Um sussurro, vindo do sofá: “Eu também...”, muito tranqüilo.
Como em todas as noites, o tiro disparou, as mãos trouxeram à boca o vinho, e tudo o que havia ali despareceu.